Tudo em sua vida está perfeitamente maravilhoso , porém nem sempre é como sonhamos... projetos, expectativas, planos para o futuro, etc.... Coisas que nós planejamos lá na frente, mas que ás vezes são interrompidas de uma maneira cruel e devastadora, coisas que "nunca acontece com a gente" ,mas quando acontece ,não acreditamos, parece um pesadelo sem fim, parece que ela foi viajar e de uma hora pra outra ela vai ligar ou bater por aqui .Pois bem o tempo vai passando ,o coração vai ficando apertado ,a saudades vai tomando conta de tudo, e tudo aquilo que você imaginava... não acontece, passa um dia ,uma semana ,um ano , e você ali ,querendo ouvir sua voz ,sentir seu cheiro , querendo sua presença , e nada ,absolutamente nada acontece, é um desespero sem fim . É exatamente isso que acontece na vida da gente ,quando nós nos deparamos com a PERDA. E aí, coisas que você nunca fazia e nem pensava ,acontece de uma maneira quase que obrigatória. E perguntas tomam conta de sua vida e de seus pensamentos. O PORQUÊ?? ACABOU TUDO E PRONTO?? AONDE ESTÁ AGORA ?? ESTÁ NUM SONHO PROFUNDO?? JÁ ESTÁ COM JESUS?? NINGUÉM MAIS CONHECE NINGUÉM?? VAMOS NOS RECONHECER TODOS COMO IRMÃOS ?? OU VAMOS RECONHECER NOSSOS ENTES QUERIDOS ?? Como vai ser? Essa questão realmente é bem interessante, pois diz respeito ao que verdadeiramente existe de mais importante para o ser humano, que é a vida eterna, o nosso destino eterno, o qual jamais se poderá alterar depois de iniciado (Lc 16:26; Ap 3:5,12), bem como envolve outra área muito importante para qualquer ser humano normal, que é o apego, carinho e amor que desprendemos para com pessoas próximas a nós. Notadamente, todos queremos ir morar eternamente no céu, bem como anelamos que nossos entes queridos também.
Para responder a
esta questão, vou iniciar com o texto de 1 Ts
4:13-18 que diz:
"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca
dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais,
que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e
ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará
a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor:
que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não
precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu
com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os
que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que
ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens,
a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o
Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas
palavras".
O texto supra citado é bem esclarecedor para o presente foco. A
igreja em Tessalônica era conhecida por sua falta de entendimento
em relação à volta de Jesus e a ressurreição dos mortos, tanto é
que o apóstolo teve que voltar a tratar do assunto em sua segunda
carta aos mesmos. Os tessalonicenses se encontravam tristes, sem
esperança, pois pensavam que não voltariam a rever seus entes
queridos que já haviam partido desta vida (v. 13);
para consolá-los e esclarecê-los, Paulo realiza um paralelo entre a
morte e ressurreição de Jesus, com a nossa própria morte e
ressurreição "se cremos que Jesus morreu e
ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará
a trazer com ele". E o que a ressurreição de Cristo
nos ensina para o caso em estudo? Oras, mesmo após a sua
ressurreição, Jesus continuou a ser a mesma pessoa, o mesmo Jesus,
o qual fora reconhecido por inúmeras pessoas, como, por exemplo,
Maria Madalena e outra Maria (Mt 28:9), pelos onze
apóstolos (Mt 28:16,17; Lc 24:33-39), por dois
discípulos no caminho de Emaús (Lc 24:31), por
mais de quinhentos irmãos de uma vez só (1 Co
15:6), e por fim, fora reconhecido por Estevão em ocasião
de sua morte (At 7:55,56), o que nos leva a
concluir que também seremos reconhecíveis após a nossa ressurreição
ou arrebatamento. Destaquemos, ainda no versículo em análise, a
parte final que diz"Deus os tornará a trazer com
ele", frase que dá continuidade e reforça o ensino de
Paulo de que a ressurreição não será sem sentido, vazia, mas sim
terá um valor para nós, onde Deus irá trazer com Jesus os que já
morreram e ressuscitaram, o que aponta claramente para uma comunhão
consciente e de reconhecimento entre todos os salvos, haja vista
que, como já exposto, reconheceremos a Jesus, e se os ressurretos
irão vim do mesmo modo como Jesus (O qual é as
primícias dos que dormem, cf. 1 Co
15:20), logo serão planamente reconhecíveis.
Indo agora para os versos
17 e 18 do texto em
análise, que dizem"Depois nós, os que ficarmos vivos,
seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o
Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto,
consolai-vos uns aos outros com estas palavras".
Estes versos encerram o pensamento do apóstolo dos gentios, onde
Paulo usa mais elementos para indicar que a ressurreição e o
arrebatamento são motivos para se acabar com a tristeza dos
tessalonicenses, os enchendo da esperança que lhes faltava, lhes
estimulando a crer que o reencontro com seus entes queridos será
uma realidade por ocasião destes eventos. Paulo usa as
expressões "seremos arrebatados juntamente com
eles", o que denota comunhão entre os ressurretos e
os transformados (juntamente), "encontrar o Senhor
nos ares", o que confirma que iremos reconhecer o
Senhor Jesus ressurreto e glorificado, "estaremos
sempre com o Senhor", frase que confirma a idéia de
comunhão, união e interação entre os salvos no céu, e por fim,
Paulo encerra dizendo "Portanto, consolai-vos uns
aos outros com estas palavras", o que nos remete para
tudo o que fora exposto nos versos anteriores, notadamente em
relação à tristeza que abatia os tessalonicenses em relação aos que
já dormem (entes queridos), bem como em relação ao arrebatamento
dos vivos e o encontro de ambos (ressurretos e transformados) com o
Senhor Jesus (cf. 2 Co 4:14), para assim
vivermos eternamente.
Convém aqui transcrever parte da obra A Bíblia
Responde, CPAD, com autoria dos
escritores Abraão de Almeida, Geremias do Couto,
Geziel Gomes, Gustavo Kessler, Hélio René, Mardônio Nogueira,
Miguel Vaz e Paulo César
Lima:
"Se não nos reconhecêssemos no Céu, isto seria para nós
contraproducente, pois o que almejamos é vermo-nos na Glória. Se no
Céu houvesse inconsciência do passado, parece-nos que pouco
adiantaria estar ali. O grandioso, o sublime é estarmos ali
conhecendo o plano de Deus e vendo o cumprimento dele. Lá, sem
dúvida, haveremos de conhecer em pessoa todos os heróis da fé que
hoje conhecemos pela Bíblia. Lá veremos os nossos irmãos junto aos
quais lutamos neste mundo a boa peleja da fé" pg
47.
Outro ponto importante a se destacar é a passagem
de Lc 22:29,30"E eu vos destino o
reino, como meu Pai mo destinou, para que comais e bebais à minha
mesa no meu reino, e vos assenteis sobre tronos, julgando as doze
tribos de Israel". Oras, pela passagem acima fica
claro que os apóstolos se reconhecerão um ao outro após a
ressurreição, pois se os mesmos irão comer e beber na mesma mesa
(cf. Mt 26:29), juntamente com Jesus, com
certeza eles se reconhecerão, assim como reconhecerão a Jesus.
Destaque-se que a mesa no reino dos céus não está restrita apenas
aos apóstolos, mas a todos os salvos, juntamente com os judeus
salvos, sempre se reconhecendo as pessoas, cf. Mt
8:11. Não faria o mínimo sentido os apóstolos sentados em
uma mesa e os mesmos não se reconhecerem, não se lembrarem do que
passaram juntos aqui na terra, da vida que tiveram ao lado de
Jesus, dos milagres, das alegrias e das tristezas que
compartilharam, perseguições também, afinal de contas, mesmo as
lembranças de acontecimentos terrenos nada agradáveis não serão
motivo para tristeza no céu, mas pelo contrário, servirão para
confirmar o quanto valeu a pena sofrer aqui na terra para se ter
alcançado a vida eterna (cf. Rm 8:18; 2 Co
4:17).
Uma passagem também muito pertinente é a parábola do rico e Lázaro,
que se encontra em Lc 16:19-31. Ela não deixa
dúvidas quanto aos seguintes fatos: quem está no inferno verá e
saberá quem está no céu (v. 23,24); quem está no
céu verá e saberá quem está no inferno (v. 25);
tanto os condenados, quanto os salvos, se lembrarão da vida que
tiveram nesta terra (v. 25), incluindo aí até
mesmo a lembrança de seus familiares (vs. 27,28).
Em relação aos condenados serem reconhecidos pelos salvos, e os
salvos reconhecidos pelos condenados, o texto de Dn
12:2 é bem esclarecedor: "e muitos
dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna,
e outros para vergonha e desprezo
eterno" (cf. Mt 25:32-46);
como os condenados poderão sentir "vergonha" se não for por parte
de pessoas que conheceram em terra? Sentiriam vergonha de quem
nunca conheceram? Dificilmente. Logo para esta vergonha existir
seria necessário não somente os condenados reconhecerem os salvos,
mas os salvos também reconhecerem os condenados.
Por fim, cabe destacar que
ressurreição não é reencarnação. Os
mortos quando ressuscitarem, ressuscitarão no mesmo corpo, embora
glorificado (para os salvos), permanecendo, portanto, a mesma
pessoa, com as mesmas características (tanto é que Estevão
reconheceu Jesus no momento de sua morte).
Mas, como o salvo poderá ter plena alegria e gozo no céu, enquanto
sabes que algum ente querido está no tormento eterno? A despeito
das palavras de Paulo em 1 Co 7:16, creio que
esta resposta foge um pouco a nossa limitação, até mesmo pelo fato
da Bíblia não tratar diretamente do assunto, mas creio que as
palavras de Jesus em Mt 10:37 e
em Mc 12:28-31, talvez sejam o que temos de
mais próximo sobre o assunto; a distinção entre o primeiro e o
segundo mandamento na referência de Marcos é simples, sutil, mas
muito importante. Sem sobra de dúvidas, devemos conceder a Deus a
excelência de nosso amor, dedicação, apreço, carinho e obediência,
haja vista ser Ele o Deus, O qual nos criou, responsável por tudo
que somos e temos, e principalmente O responsável pelo maior de
todos os dons, o qual nenhum ser humano seria capaz e desprendido o
suficiente para realizá-lo, que foi entregar o seu Filho unigênito
para sofrer e morrer em nosso favor, em uma prova de seu infinito
amor e cuidado para conosco, que não merecíamos tamanha graça.
Sabemos que se algum ente querido não for para o céu, com certeza
ele fez por onde, e com certeza desagradou e entristeceu ao nosso
Deus, ao qual devemos render nosso amor maior e incondicional. É
óbvio, claro e evidente, que queremos que todos se salvem,
principalmente nossos familiares e amigos mais próximos, mas, como
dito pelo próprio Jesus no já citado Mt
10:37, "Quem ama o pai ou a mãe mais do
que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do
que a mim não é digno de mim". Somente será digno da
vida eterna aquela pessoa que tiver em mente que o sofrimento de
Cristo fora infinitamente mais precioso e caro do que qualquer
sofrimento que algum ente querido possa vim a padecer eternamente
nas trevas. Não é questão de não amar ou querer bem, é questão de a
quem mais amar e querer bem. Ademais, a nossa natureza será uma
natureza transformada, glorificada, o que creio que nos fará ter
uma visão e senso de justiça mais próximos da divindade, o que
concorrerá com o já exposto, para que não venhamos a sofrer no céu
por causa de algum ente querido condenado.
Não esqueçamos que o céu, e a vida eterna que nele os salvos irão
gozar, como sendo obra "caprichada" do nosso Deus, com certeza será
algo infinitamente perfeito, em todos os sentidos. Deus pode que
seja assim! Deus quis que seja assim! Deus fará que seja
assim!
"E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não
haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as
primeiras coisas são passadas" Ap 21:4.
Amém.



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